27 de abril de 2017
NADA POP

5inco perguntas para Mário Mariones (Garrafa Vazia)

Mário Mariones, da Garrafa Vazia – Foto: arquivo pessoal

Mário Mariones é baixista e vocalista do Garrafa Vazia, banda punk de Rio Claro – interior de São Paulo. Sua voz gutural é característica e consegue se transformar em símbolo de farra, bebida e alegria – temas recorrentes nas letras da banda.

Nascida em 2009, os Garrafas já laçaram diversos EPs e álbuns, além de participações em coletâneas e splits. Pela primeira vez a banda lança um trabalho em vinil, e o mesmo saiu recentemente pela selo Neves Records que trouxe um compacto 7′ chamado “Corotinho”. Para saber um pouco mais sobre esse lançamento, trocamos ideia com o próprio Mariones. Confira a entrevista abaixo.

NADA POP – A canção “Corotinho” virou um hit por vários botecos do país. Até o PC Siqueira fez um compartilhamento sobre essa música. Como ela surgiu e pode-se dizer que ela é hoje a música mais conhecida da banda?

MÁRIO MARIONES – No meio de uma madrugada, acordei com a melodia na cabeça! Então, abri o véio “nótebruique” e gravei só a linha vocal no Audacity. Depois, apresentei pros caras, tocamos ela em Sumaré sem ensaiar e foi estouro! A galera cantou, curtiu! Pouco depois, gravamos o EP em poucas horas, numa noite doida no porão da Pé de Macaco, em São Carlos.

Saímos divulgando esquemão “marketing guerrilha” pra turma e puts, foi foda!

Quando vimos, o Mozine compartilhou, o que gerou uma série de compartilhamentos. Também rolou o mesmo com o Henrike do Blind Pigs, e também com uma galera massa.

De repente, rolou meio que uma “viralizada” na parada; fomos lá levar Corotinho no Hangar 110, começaram a surgir altos convites, ela começou a tocar nas rádios e webrádios e plá, rolou uma repercussão foda, da mídia rock, do público. Creio que Corotinho é uma das mais conhecidas, junto com Cirrose. Mas tem outras também como Back to Bacana, Risólis Voador, Hard Rock no Pesqueiro, Punk Rock é Liberdade…

NADA POP – Vocês lançaram um disco recentemente que saiu pela Neves Records. Como surgiu o convite, fala sobre a prensagem que foi feita fora do país e, claro, conta um pouco sobre a parceria com essa gravadora. Vinil é algo que faz sua cabeça?

MÁRIO MARIONES – Surgiu naturalmente! Conheço e admiro o trabalho da gravadora há tempos.

A Neves Records prima pela qualidade diferenciada, por todo capricho em todos os detalhes, especialmente.

O Neves acompanha nossa correria (o Garrafa nasceu em 2009) , fomos sempre trocando ideia nas feiras do vinil da região, no show que tocamos com o GBH, e ele sempre viu o Garrafa tocando, e a “vibe” do nosso show, a galera agitando, invadindo o palco. Ele sempre viu nosso corre, a gente sempre na ativa , gravando, organizando gigs, pegando estrada, somando com a turma.

A parceria foi um sucesso.

Ele nos deu 100% de suporte, o que pra nós foi uma grande honra.

Agora como foi o momento exato do “casório”, foi assim: durante um show, joguei na mão dele o cdzinho do Corotinho, ele curtiu demais o som, daí conversamos via Facebook e plá: foi surreal, quando a ficha caiu foi foda!

De repente, vinilzão prensado na Europa com um puta som lindão estralando o do falante. E porra, estamos na gravadora que tem bandas que nos inspiraram como Muzzarelas, Ovos Presley, os cabras do Mullet Monster Mafia, Gangrena Gasosa, Catalépticos, vixi, é muito gratificante.

NADA POP – O Garrafa Vazia é uma banda que surgiu em Rio Claro, interior de São Paulo. Vocês brincam dizendo que na verdade são de Hell Claro. Conta um pouco da cena do interior, quais bandas vocês recomendam e os estilos de cada uma delas. E claro, como funciona a cooperação entre vocês.

MÁRIO MARIONES – O interior é chique que a turma agita bastante, acho muito especial você colar num “bailão” e rolar todo mundo ali na mesma onda, se, censura “conscienciosa”, apenas uma festa doidera, um cuidando do outro, se respeitando, e claro há sempre uma energia bem doida!

Aqui temos o Hell Claro Rock, um grupo não-sectário que luta pela união das bandas, um cuidando do outro, sem ramelagem.

As bandas daqui são muitas, mas eu poderia destacar as seguintes: o Braincrusher (crossover antifascista velocidade da luz); Funeral Sex (stoner/doom fodão); o Aborn (as minas mandando um thrashão old school fudido); On Crash (hardcore “kafkaniano” bem original, com vocal feminino mil grau); Craniana (groove metal peso pesado com a turma dasantiga); o Head Bones, Focalada, Inocoops as duas primeiras numa linha mais punk rock visceral em português e a última num garage rock de primeira, e claro, o Alerta Mental de Santa Gertrudes (cidade vizinha), uma banda na linha hardcore punk bem empolgante, pra quem curte Cólera, taí a dica, vai se amarrar no som! Mas tem muitas bandas, é só dar uma conferida, não quero cometer nenhuma injustiça, sou meio lesado, esqueço às vezes, normal, meio sem querer querendo.

Nós mesmos aqui de Hell Claro e região realizamos os bailes, avaliamos os locais, criamos os locais (hehe), vemos se as datas não coincidem, revezamos, diariamente trocamos figurinhas, nos mobilizamos no ideal faça você mesmo & cooperação, dividimos os equipos, saímos colando cartazes, dividimos gargalhadas e a pista de dança também. É só alegria!

NADA POP – É mais fácil rolar shows no interior ou vocês já estão conseguindo superar possíveis barreiras regionais? Como vocês se organizam e trabalham para levar o nome da banda para mais lugares do país ou, quem sabe, para fora do Brasil?

MÁRIO MARIONES – Fizemos uma tour pelo sul e já tínhamos tocado fora do estado, tocamos 4 vezes fora do estado. Rolam vários convites, durantes esses anos tocamos direto em SP, no ABC e por todo interior, mas infelizmente é difícil conciliar horários e compromissos pra ter uma agenda mais cheia de fermento.

Sobre barreiras: não há barreiras, de certa forma temos acesso sambarilóvi pelo Brasilzão todo, estamos sempre trocando ideia, conhecendo bandas novas, vivendo o corre-corre crazy rock tupiniquim.

Já rolaram coletâneas nacionais/internacionais sempre estamos marcando presença.

Incrusive, certa vez eu fui entrevistado ao vivo uma vez numa rádio FM de Buenos Aires no mesmo programa que o Charlie Harper do UK SUBS, foi do caralho.

Na época, a gente tava pra rolar uma turnê sul-americana passando por 3 países, só que de úrtima hora surgiu um imprevisto local que adiou o fest, bateu na trave, estamos ainda pra rolar, sempre tivemos uma aceitação bem legal na América do Sul .

Em Portugal também rola uma resposta legal. Uma vez também veio uma gravadora do Canadá trocar uma ideia com a gente e pintou mais um convite ano passado.

O lance é correria e correria, amamos e acreditamos no que fazemos, trampamos com afinco na parada, aí o resto vem com o tempo. Estamos pra programar uma tour pelo Nordeste, é um dos nossos objetivos.

NADA POP – Qual o melhor site de punk rock do Brasil? Zoeira!!!! A pergunta que quero fazer é sobre o futuro da banda. O que vocês pensam em alcançar, shows que querem fazer, discos para lançar e se já rola algum retorno financeiro com o som de vocês.

MÁRIO MARIONES – Kkkkkk! Porra, tem uma galera que diz que o Nada Pop é uma baita referência na sonzera, vocês sabem disso. Tirou o chapéu procêis.

O futuro é monstro!

Estamos em fase de começar a pré-produça do novo disco, que vai se chamar ao que tudo indica “Maionese”. Meio que um “Back to Bacana 2”.

Será com uma produção foda, estúdio gringo aqui do interiorzão. Estamos bem ansiosos pra mostrar os sons novos pra turma, como Chaminé, Pochete, Marcha Lenta, Fat Moringa, a própria faixa título e tal. Estamos trabalhando forte nesse trampo.

Sobre retorno financeiro?

Não dá pra ficar rico, claro, mas às vezes rola uma grana massa, cachêzin bacana, assim também como o merch, a gente faz as camisetas e costuma zerar no dia do bailão, assim como nosso disco, que vendeu bem rápido, quase também esgotado, estamos bem felizes, anos e anos de correria e de repente surge o reconhecimento, o carinho da turma, é chique-dez, fí.

No fim das contas, é farra é festa: a gente quer se divertir e foda-se, espírito rock and roll toscão na fita. Com a nossa linguagem, o nosso jeitão de fazer rock, meio irreverente meio maionese, a gente viaja junto e faz uma pá de amigo novo, e o que é a música senão uma linguagem universal reunindo malucas e malucos no caos dançante?

É isso, obrigado!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.

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