27 de abril de 2017
NADA POP

A iconoclastia sonora da Porno Massacre ganha mais um novo capítulo

Porno Massacre – Foto: Clayton João

Ao ouvir a Porno Massacre pela primeira vez foi como ouvir o “Never Mind the Bollocks” do Sex Pistols no início da minha adolescência. Encontrava ali, naquela banda e naquelas músicas todo o significado do que era sentir a fúria ao mesmo tempo que estava com todos os meus hormônios à flor da pele. O sexo e a violência, a raiva transfigurada em música e o sentimento de que só uma destruição de todos os símbolos – cristãos ou não – poderia nos salvar da degradação moralista e conservadora que nos ensinava como deveríamos viver e obedecer.

No ano passado os caras divulgaram o primeiro trabalho do grupo intitulado “Porno Massacre Vol. 1” e foi algo realmente que se destacou pela sonoridade, que passava pelo surf rock acelerado da música “The Lemarchand’s Box”, seguido pelo hardcore anti regras de “Igreja Pornomassácrica”, passando pela sedutora “There is no Rule at All”. A Porno Massacre definitivamente é uma banda que não irá passar despercebida pelos ouvidos e, muito menos pelos olhos de quem assistir ao show desses caras ao vivo.

O teatro meio circense de horror casa com as músicas ao vivo no palco. O vocalista, que assume o alter ego de General Sade, é um daqueles monstros que se transformam na sua frente em diferentes personagens e que fazem você acreditar em múltiplas personalidades – algo quase semelhante com o atual filme “Fragmentado”, do diretor M. Night Shyamalan. Claro, guardada as devidas proporções… Ou não.

Porno Massacre – Foto: Kiko Louco e Coletivo Poranduba

O restante da banda segue fazendo tudo pegar fogo de maneira a parecer que eles estão pouco se fudendo para o mundo. O guitarrista Aiatolá (também alter ego) domina seu instrumento como se o mesmo fosse uma arma pronta para matar a mesmice, enquanto o baixo e a bateria se revelam os propulsores do caos impedindo qualquer segundo de respiração.

Consegui te convencer que a banda é boa? Claro, não confie em minhas palavras, ouça a banda e tire suas próprias conclusões. Um novo capítulo na história da banda teve início a partir de hoje e é com muito prazer que falamos disso agora.

Com apenas três músicas – que são suficientes para dar um gostinho do que esperar da banda nos shows e para próximos trabalhos – os caras lançam o EP “É o que me resta?”, que só o refrão da faixa “Cátia Carioca” pode ser o símbolo da banda daqui para o futuro: “A vida vale o exagero”.

Em seguida, a banda lava a alma com a faixa “É o que me resta” que com certeza me fez retomar a antigos planos. Ouça a faixa e entenda. As duas faixas (Cátia Carioca e É o que me resta) foram gravadas a convite do projeto Converse Rubber Tracks, que felizmente não escolheu outra banda “mais comercial ou mais do mesmo” para isso.

A terceira e última faixa, “Isso para mim é perfume”, foi gravada a convite dos sites Hits Perdidos e Crush Em Hifi (o último do João, que ainda não respondeu minha mensagem no Facebook) para compor a coletânea em homenagem aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa” – saiba mais AQUI. Após o lançamento a faixa foi remasterizada para o EP.

Capa e contracapa do EP “É o que me resta?” da Porno Massacre. Arte por Bruno Gozzi.

Se não me contassem que essa faixa é uma versão do Titãs não teria o menor receio de acreditar que a autoria dessa letra era da própria banda. Bom, essa tríade sonora da Porno Massacre é praticamente uma ode a iconoclastia e símbolo de fato de toda a originalidade do grupo.

Toda a finalização do disco foi feita pelo Vinnie Azevedo do Kinema Estúdio – que também masterizou o primeiro disco da banda. Vale destacar ainda a arte de capa, feita pelo Aiatolá, ou melhor, Bruno Gozzi.

A banda prepara as cópias físicas deste EP, que serão vendidas no site doutrolado.com.br. Também haverá uma tiragem em Vinil 7 polegadas, mas o álbum estará disponível em todas as plataformas digitais se você também preferir (formas pagas ou gratuitas para ouvir), como Deezer, Spotify, GooglePlay, Bandcamp etc.

Bom, você sabe, se não valesse a pena ouvir esse disco a gente nem estaria falando dele por aqui. Certo? Ouça abaixo e estoure o volume do seu som.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.

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