27 de abril de 2017
NADA POP

Nós podemos ser melhores uns com os outros; Novo clipe do Nada Em Vão é um resgate a esperança

Nada Em Vão – Foto: Ana “Querolx” Nicolau

Nesta sexta-feira (17), os brasilienses do Nada Em Vão lançaram o clipe da faixa “Perdidos e Confusos”, que faz parte do EP “Sempre Em Frente”, que saiu no final do ano passado. A produção do vídeo ficou por conta da Produtora Candela, também de Brasília, e usa a própria letra da música como referência durante todo o vídeo.

Para a banda, “Perdidos e Confusos” é uma crítica à grande mídia e também ao tipo de relação que as pessoas têm hoje em dia. “O excesso de informação tira nosso foco, nos deixa afastados daquilo que é relevante para nossas as vidas. Estamos realmente afundados em um mar de irrelevância. Apesar de toda a modernidade, somos seres analógicos e precisamos nos resgatar desse mar e sair desta desumanização”, explicam.

É possível perceber que o clipe realmente tenta mostrar a esperança da banda e a crença do grupo que realmente podemos ser melhores e ter mais empatia uns com os outros, algo que o próprio clipe também apresenta. “O vídeo segue a ideia da música, pois começa frio, distante, quase sem humanidade e termina com uma mensagem bastante positiva porque ainda podemos nos surpreender pelo bem”, concluem.

Perdidos e confusos e guiados pelo excesso de informação
O ódio travestido em liberdade de expressão

O ego cega e ninguém ganha
A nossa intolerância vai nos destruir

Afundados em um mar de irrelevância

É preciso repensar o admirável mundo novo
Criar tudo de novo
Estamos programados pra não ter opinião
Egoístas, vazios e sem razão

Pensar no todo, no coletivo
Em busca de maneiras pra se reinventar

Resgatados e repletos de esperança
Pois é possível se surpreender pelo bem

Há certo tempo que não encontrava um álbum que me fazia ter vontade de ouvir mais vezes, muito menos um clipe. Mas com o Nada Em Vão foi diferente e ouso comparar a banda ao Cólera, que também apresentava canções mais otimistas e com algo a dizer, de alguém que vivia a mesma coisa que você e que lutava para sobreviver de forma digna e com a cabeça erguida, em busca de dias gloriosos que só nos dessem o verdadeiro significado do que é viver. Assim, ouvir o Cólera é uma sensação de ser guiado pela mão e de que o cara que cantava as músicas sentia o mesmo que você, não estava ali interpretando um personagem. Era o que o próprio Redson vivia e pensava retratado em todas as canções.

Com o Nada Em Vão é praticamente a mesma coisa, “o futuro está em nossas mãos” é o que a banda canta. “A vida é curta demais para ser desperdiçada”. Parece tão óbvio e ao mesmo tempo tão simples, mas é na forma como os caras retratam e colocam os sentimentos na música que faz tudo ficar tão bem encaixado.

Querer fazer do mundo algo melhor precisa, antes de tudo, passar por uma transformação interna para depois ser sentida e vista por todos ao redor. É o que o punk e o hardcore nos ensinam desde o início, por isso nos causa tanto impacto – por nos fazer pensar e olhar pra nós mesmos e enxergar tudo aquilo que não queremos perto de nós.

Sim, é possível se surpreender pelo bem e com esse bem – não só pela revolta – mudar aquilo que nos incomoda.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.

1 Comentário

  1. Matheus 17 de março de 2017 at 12:39

    FODIDO!!!!

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